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julho 15, 2004

Férias. 

Este blog entra hoje em recesso, e volta dia 15 de agosto. Atualizações até lá serão raras.




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julho 13, 2004

Ih!, Royal Academy, qualquer dia eu tô aí! 

Afinal, Economia é ciência?

"Yes, says the Royal Society, the most prestigious scientific body in the world; no, says Cambridge, the UK’s leading science university which still considers it part of the arts.
What might appear an arcane academic argument has suddenly assumed huge significance following the election of Sir Partha Sarathi Dasgupta, an economics professor at Cambridge, as a fellow of the Royal Society which was founded in 1660.

From Venice, where he has been attending a gathering of the European Association for Economists, a delighted Dasgupta told The Telegraph: “This is a bigger honour for me than my knighthood. I believe I am the first economist in 350 years of the Royal Society to be made a fellow.”

He added: “Until now, economists have been considered social scientists eligible for membership of the British Academy, of which I am a fellow, but not the Royal Society, which was only for scientists and mathematicians.”

Each year, the Royal Society can elect 44 new members, which this year includes Dasgupta.

An official statement from Cambridge University proudly declared: “He is the first economist elected to the Royal Society.”

Para ler o artigo inteiro, clique aqui. Já a página do professor Dasgupta pode ser acessada aqui.

(Via Marginal Revolution)

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4 Patetas. 

Com a escolha do sendador John Edwards para o posto de companheiro de John Kerry na chapa democrata, a campanha presidencial nos Estados Unidos começou para valer. E começou embolada na divulgação, feita na sexta-feira da semana passada, das conclusões a que chegou a Comissão de Inteligência do Senado americano após promover investigação minuciosa do comportamento das agências de inteligência na compilação de argumentos favoráveis à invasão do Iraque.

Em discurso proferido segunda-feira num Laboratório Nuclear do Tenesse, o presidente George Bush procurou minimizar o impacto que as conclusões do Senado podem trazer à avaliação popular de sua competência para comandar o esforço de guerra contra o terror. Reproduzindo a linha de defesa adotada pelos neo-conservadores – a qual dá ênfase ao resultado positivo da guerra contra o Iraque, mesmo em face dos erros que foram utilizados para defendê-la -, Bush observou que, através de alianças com outros países, colocou pra correr os teroristas, levou a guerra ao campo do inimigo e conseguiu semear nos desertos de fanatismo um rudimento de democracia.

Cheney tem usado a mesma ladainha para defender o governo, que, ao que parece, vai dividir com o Congresso (que aprovou a iniciativa de guerra com base nas mesmas avaliações entregues pelas agências de inteligência a Bush) a inevitável pecha de otário.

A dupla John-John votou a favor da aprovação do esforço de guerra. Os dois têm feito portanto bastante ginástica para explicar as razões de seus votos, já que agora criticam a invasão de cara lavada. Kerry e Edwards votaram contra o pedido de 87 bilhões de dólares feito pelo governo ao Congresso, no intuito degarantir o custeio da reconstrução do Iraque - além deles, apenas outros dois senadores comportaram-se dessa forma, votando a favor da guerra e contra a disponibilização dos fundos para o custeio da reconstrução (uma posição semelhante à de um motorista relapso que da ré por engano e acerta o carro de trás, se recusando a bancar o prejuízo justamente por conta de sua condição de... relapso).

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Enquanto rola a campanha lá em cima, vale aqui pra nós um comentário:

Num momento complicado como esse, momento no qual a disseminação do terrorismo muçulmano ameaça solapar os fundamentos de abertura e liberalismo que, de certa forma, caracterizam o Ocidente, pergunto - dá pra aturar esses quatro bundões ocupando os palanques da eleição americana e disputando o comando do leme da história?

Não, não dá.

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julho 10, 2004

John-John. 

A notícia da semana foi o anúncio do companheiro de chapa de Jonh Kerry, candidato à presidência americana pelo partido democrata. Depois da expectativa - e do vexame do New York Post, que publicou um dos furos de reportagem mais furados de que se tem notícia recente -, o que de certa forma já se esperava acabou se confirmando: John Edwards, senador democrata pela Carolina do Norte, comporá com Kerry a chapa de oposição ao governo Bush na campanha presidencial de 2004.

Apesar de ter sido derrotado por Kerry, Edwards, com traços populistas associados a um estilo enérgico e jovial, teve presença marcante nas primárias democratas. Espera-se que seu carisma possa vir a servir de contraponto à imagem desgastada e sombria do atual vice-predidente Dick Cheney, imagem essa caracterizada por agressões à imprensa, temporadas em bunkers, e contradições em sua defesa da guerra no Iraque. Espécie de selo de garantia da presidência de Bush no início de seu mandato, Cheney hoje é massa negativa no esforço de sedução dos swing voters, grupo que de fato decidirá a eleição – e grupo no qual se espera que Edwards possa de fato fazer diferença.


É importante lembrar que o peso que candidatos à vice-presidência costumam ter em campanhas nos Estados Unidos é muito pequeno. Exceções contam-se nos dedos. Edwards na chapa democrata dificilmente será relevante na conquista dos swing states do Sul, e certamente será acusado de possuir pouca experiência em política internacional. No entanto, tendo em vista o resultado eleitoral apertado que antecipadamente se espera, qualquer voto conquistado pode ter importância fundamental na apuração final. E a energia que Edwards certamente trará à stealth cadidacy de Kerry – na descrição saborosa da “The Economist” – pode ser decisiva para bater nas urnas os atuais ocupantes da Casa Branca.

É agurdar e conferir - enquanto as campanhas municipais no Brasil continuam mornas, temos aí mais um assunto para a pena dos "political junkies" brasileiros.

Atualização 01: Andrew Sullivan analisa com razoável profundidade o significado da escolha do nome de John Edwards para o posto de companheiro de chapa de John Kerry.

Atualização 02: Dinheiro atrai dinheiro, gafe atrai gafe - a furada foi do New York Post.
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julho 09, 2004

Bilac na CNN. 

Fui correr hoje na orla, depois sentei e contemplei os abutres comendo garrafas pet de guaraná na areia. Lembrei errado que as esmeraldas vêm do carvão, e que a guerra verde na noite é bonita - “chispam verdes fuzis riscando o céu sombrio”.

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Odre Velho é que faz comida boa? 

"Uma das coisas que aprendi lendo o novo testamento é que se você oferecer a outra face, vai terminar na cruz. No meio tempo, humilhação, suplício e ridículo. Prefiro o velho testamento. O pai sabia das coisas."

Post "Dos Novos Valores", do rabino Mozart.

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Eu contribuo com o espetáculo do crescimento. 

"As companhias telefônicas já consideram a banda larga sua principal concorrente no mercado mundial de telefonia de longa distência. [Bill] Gates vê na combinação dos blogs com a banda larga a mais formidável ferramenta de intercâmbio de informações já produzida pela humanidade. Ele acredita que sua utilização ampla vai levar o capitalismo a um outro patamar de produtividade."

Trecho de
"Uma Prévia do Futuro",
Matéria da Revista Veja desta semana (07/07/2004), pág. 70.

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julho 06, 2004

Roger Penrose e seu Triângulo Impossível. 

1. Cientistas da BBC: Dormir faz perder peso.

2. Márcio Guilherme: Engordar dá sono.

3. M. C. Escher: Engorde rápido para emagrecer depressa.


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julho 05, 2004

Spiritual, but not Religious (ou "Perdendo o céu em 8 passos"). 

"Q: What are the conceptual characteristics that describe New Age? And what are the main differences that characterize Christian doctrine?

Father Olivieri Pennesi: Douglas R. Groothuis, an American author, has identified six characteristics of New Age thought: Everything is one; everything is God; humanity is God; we must transform our conscience; all religions are one; optimism in regard to cosmic evolution.

We can summarize in the following points what those of New Age generally affirm:

1. There is no source of external authority -- only that of the interior -- "the god within us." Truth as objective reality does not exist, says one of the best-known spokespersons of New Age: actress Shirley MacLaine.

2. The Creator is confused with his creation, believing that God is part of creation and is not separated from the latter. They adopt the belief in monism from the Eastern religions -- that "everything is One" -- only one essence of the universe, everyone and everything forms part of this essence.

3. Christ, more than an individual, is a type of energy. This idea of "Christ-like awareness" states that Jesus was not the only Christ, but that he was predisposed to receive the "awareness of Christ," as were Buddha, Krishna and Mohammed. This is a well-known teaching of Gnostic occultism which has its roots in the Babylonian mystery religions.

4. Insofar as sin is concerned, while reference to Adam's sin is silenced, it is affirmed, as "A Course in Miracles" states, that man's principal problem is his ignorance of his divinity. Every perceptible fault that man thinks he has is more an absence of knowledge; with this is eliminated the need for salvation and for a savior.

5. The New Age follower considers his good where he finds it. His morality is in his criteria, trusting in what he feels is good.

6. The traditional way of seeing the personification of evil as the devil or Satan is clearly absent from New Age literature. In regard to history and Lucifer's task, Benjamin Creme, a known speaker of the movement, states that "Lucifer came from the planet Venus 18.5 million years ago. He is the director of the evolution of our planet, he is the sacrificial lamb and the prodigal son. Lucifer made an incredible sacrifice, a supreme sacrifice for our planet."

7. New Agers take up again the old doctrine of the Eastern religions on reincarnation, modifying it substantially in order to attain a perfection through innumerable cycles of death and rebirth. Together with this is the practice of so-called channeling through which disincarnated entities will direct humanity's spiritual evolution.

8. In the document written by the Pontifical Councils for Culture and for Interreligious Dialogue -- "Jesus Christ, Bearer of Living Water. A Christian Reflection on the New Age" -- one reads: "New Age has a marked preference for the Eastern and pre-Christian religions, which are reckoned to be uncontaminated by Judeo-Christian distortions. Hence great respect is given to ancient agricultural rites and to fertility cults." Somewhat later "Gaia," Mother Earth, is criticized.

I think a denunciation is obvious of certain animalistic and environmental ideologies which tend to re-propose a modern form of neo-pagan pantheism."

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Para ler a entrevista com o Padre Olivieri Pennesi na íntegra, clique aqui (Via Zenit.org).


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Niggers With Attitude (ou "Oakeshott's 11"). 

Os 11 jogadores do "Wunderblogs", time de várzea da direita intransigente, resolveram reunir-se e publicar um livro. Para promovê-lo, desafiaram o Polytheama e deram entrevistas à Folha.

Divirtam-se. (via Dante)

Atualização: Se estiver em São Paulo hoje, aproveite e vá pedir autógrafos (e cobre o e-mail que o Alexandre não respondeu):



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Palavra de incentivo. 

"Minha relação com o dinheiro sempre fora defeituosa, enigmática, cheia de impulsos contraditórios, e agora eu estava pagando o preço de ter me recusado a assumir uma posição definida quanto a esse problema. Desde o início, minha única ambição era escrever. Isso eu já sabia aos dezesseis ou dezessete anos, e jamais alimentara a ilusão de que seria possível ganhar a vida como escritor. Decidir tornar-se escritor não é o mesmo que resolver ser médico ou policial. É uma coisa que você não escolhe, mas que escolhe você, e, uma vez aceito o fato de que essa é a única atividade para a qual você tem vocação, é necessário preparar-se para caminhar por uma estrada longa e difícil pelo resto da vida. A menos que você acabe constatando que os deuses estão do seu lado (e ai daquele que aposta nessa possibilidade!), seu trabalho nunca vai lhe proporcionar o suficiente para seu sustento e, se você quer ter onde morar e o que comer, tem que resignar-se a assumir outro tipo de trabalho para poder pagar as contas."

Paul Auster,
trecho do capítulo inicial de "Da Mão para a Boca".
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julho 02, 2004

Somebody just made an offer he couldn't refuse. 


The rest is silence. Posted by Hello
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Pimenta nos olhos da liberdade dos outros é refresco. 

Tyler Cowen, um dos bloggers do Marginal Revolution, conta, em post publicado no dia 30 de junho, detalhe saboroso de conversa recente com Milton Friedman:

"Milton's best anecdote concerned opposition to the idea of a free society. He sees businessmen and academics as the two biggest problems, albeit for opposing reasons. Businessmen want freedom for all other people, only not for themselves. Then they want various subsidies, tariffs, privileges, etc. Academics want freedom for themselves, but not for other people."

Essa foi pro caderninho.

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Mundo Bizarro. 

Há um mistério que precisa ser investigado: o que leva gente pobre a colar recomendações contra invejosos em carros velhos?

01. A inveja é uma merda.
02. A força da sua inveja é a velocidade de meu sucesso.
03. A inveja é arma dos incompetentes.
04. Se a sua estrela não brilha, não apague a minha.

Yours truly;
Fiat 147.

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Gente, e o amor? Para onde foi o amor?
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julho 01, 2004

Epílogo do primeiro capítulo da guerra, ou "The End of the Beggining". 

William Frank Buckley Jr., uma das vozes mais marcantes e influentes do jornalismo americano no último século, comunicou à imprensa no dia 29 de junho sua decisão de se afastar do controle da revista National Review, revista que ajudou a fundar em 1955, e que, desde então, teve papel fundamental na ascenção política do conservadorismo moderno americano.

Alegando em entrevista motivos pessoais como justificativa para seu afastamento, Buckley, de acordo com artigo publicado no NY Times desta semana, aproveitou a oportunidade para expor certo desconforto em relação aos rumos que o movimento conservador tem tomado durante o governo Bush. Tendo sido um dos defensores mais ferrenhos dos argumentos utilizados para vender a guerra do Iraque para a opinião pública americana, Buckley surpreendeu seus entrevistadores ao afirmar que:

“With the benefit of minute hindsight, Saddam Hussein wasn't the kind of extra-territorial menace that was assumed by the administration one year ago. If I knew then what I know now about what kind of situation we would be in, I would have opposed the war.”

A declaração de Buckley foi publicada apenas um dia depois da transferência antecipada do poder no Iraque. Ora, o timing não poderia ser mais perfeito: a entrega da autoridade política ao governo provisório comandado por Ilyad Allawi representa o fim da primeira fase da “guerra contra o terror”, mas representa também oportunidade indispensável para que os erros da estratégia americana – exemplificados de forma simples e eloqüente no mea-culpa do ex-editor da National Review – possam ser avaliados e evitados no futuro.
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